22.6.08

estou do lado de lá do oceano com a impressão de que faz meses e foram só três dias
não entendo como ninguém em mim ainda diz: «saudades» nestas aspas tão especiais
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o porto
segunda-feira, que é amanhã, começa a festa de são joão, que é realmente mesmo na terça, e vendem manjericos em vasos -folhas menores que dos manjericões conhecidos- que parecem bonsais gordinhos. não se pode cheirá-los, uma portuguesa quase me deu um tapa quando o fiz e jogou o vaso inteiro fora no lixo à frente. mas como não cheirá-los um bocadinho de tão deliciosos? no aeroporto revistaram minhas bagagens, mas complicado mesmo foi para uma portuguesa que trazia um pé de salsa em um vaso dentro de uma mala, enrolado num edredon a dizer «meu senhor eu não sabia que era cá proibido»
tenho a impressão de que os gajos usam menos palavras para dizer o mesmo que nós, somos mais prolixos e não comemos sílabas,
e que se descontrolam muito com os brasileiros, nunca vi gente tão grossa - num taxi que pegamos por causa da minha vó descansar, para andar só um trechinho de carro e, como era o rush, pedimos para parar logo ali e o moço (eles odeiam serem chamados de moço) não abriu a porta e dizia «agora então podes andar, agora podes» - pequenos nas coisas pequenas, mas outros tão efusivos em contar e explicar, são carinhosos
e parece que agora começo a entender o que é o tal do homem cordial brasileiro
aqui, em termos de restaurantes, ruas, lojas de roupas, perto de são paulo, me parece uma pequena-piracicaba, botucatueí, em ruelas tortas e construções de ouro preto mais recentes
o que muito me alivia, porque me parece que a vida poderia me parecer ainda mais estreita, numa cidade como essa a beira'mar
mas em termos de livros e discos! ah, quanta poesia se edita aqui!, mas livros são caros -discos nem tanto -
mas voltando ao assunto, parece que entendo um sei lá o que sobre o brasil que antes não entendia
e quando vejo os ingleses e os franceses no pequeno-almoço penso que poderia ser pior
os franceses a olhar as coisas como se nada tivessem com isso e os ingleses como sardinhas dentro de uma lata, ignorantes do seu invólucro
um outro me explicou que chamam os carros de lata e pandeiro (porque se bate) mas que lata também pode ser um amontoado de gente
amanhã começa o são joão, dizem que a cidade toda enlouquece, que passam alho no nariz das pessoas e dão marteladas à cabeça dos passantes,
veremos,
contaram-me também que algumas décadas atrás, na festa de são joão subiam todos à ponte feita pelo eiffel (sim, o da torre) que é enorme e corre altíssima sobre o rio douro, antes de nela passar o métro, e os engenheiros soltavam algumas das cordas da ponte e o povo ficava lá a balançaire para um lado e outro a ponte,
isso sim que é medieval!
até,

8 comentários:

agente laranja disse...

legal seria se eles soltassem a ponte ainda no tempo do metrô.

José Américo de Melo disse...

Hum, então, se sobrar uma graninha você bem que poderia me comprar uma Obra Completa do Eugénio de Andrade. Remunero bem.

júlia disse...

lui

é verdade! isso sim que seria emoção. e cá eles chamam o metrô de métro.

érico

compro sim
envio-te pelo correio, você paga a postagem também, ok? que é impossível carregar
mas o faço de lisboa, daqui uns vinte dias, que terei mais tempo e dizem que as livrarias são ainda melhores
beijos

José Américo de Melo disse...

É nóis, mano!

José Américo de Melo disse...

Pero atención que a Fundação Eugénio é aí no Poârto.

Amanda disse...

Olha, estou cá em Porto e me dievrti a valer com o sao joao e as marteladas. =) Parece que é uma daquelas raras situações em que os portugueses permitem-se soltar e deixam mesmo as nuvens de lado. =)

Edilson Guglielmeli disse...

Mas pelo menos ela explicou porque não podia cheirar o raio do mangerico?(e agora : é g ou j?, se fosse comigo ela me atirava o manjerico pela cara).
E ela tinha bigode?

júlia disse...

amanda,
sim! a noite de são joão foi ótima, ainda mais apesar da chuva, e os balões todos resistiam a água caindo e subiam, para o susto das gaivotas e a atenção dos bombeiros,

- -
edilson,
me disse um garçom que o manxerico murcha se alguém o cheirar, pensei que ela fosse me dar um tapa, mas não deu.
ela não tinha bigodes não, mas a aeromoça chefe do avião tinha um que valia por dois, e usava maquiagem muita nos olhos, o que o realçava

beijos

 

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