25.8.06

Nunca conheci um poeta em pessoa, os que na rua vi, reclamando para si o relento, só pensam no amor, na dor e nessa espécie de rito. Punhais nas orelhas, fígados cerrados aos trincos e camisolas ao luar, secando num varal, de linhas de nylon ou arame farpado, são os véus intermináveis dos homens, que encobrem aos olhos as bolhas.

As bolhas misturam líquido com ar, sopradas por cornetas de anjos altos, e magros anjos que olham por essa gente cem anos. E estão cegos.
A claridade, o espirro, o abismo
uma cidade áspera.

Um comentário:

Marcio disse...

os poetas são uns tolos...

 

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