5.5.06

de como organizar damasco?

se eu não te escrevo, não é porque te deixe, mas porque estou avessa as palavras e um sopro de um eco do chão ou a cor do tecido em cena me envolvem mais do que essa situação de sobreaviso que é escrever, como se nada fosse imponderável, de uma estaca eu faço um laço, da sua corte o meu desastre. era essa a nossa história. a isso chamei loucura mas nada anteposta a sanidade. mas se não escrevo pra você é porque não lembro mais do tamanho das veias e recordo o das goivas. em perspectiva, no nosso texto eu dizia gotas onde quero dizer frouxas ou dividiria queijos onde quero dizer feios ou diria sapos onde quero dizer trapos. se eu não te escrevo é porque não tenho o que volumar. mas se eu não escrevo é porque eu ainda não aprendi o modo de me perder.

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já você me ama como seria damasco.

por damasco entende-se a cor. entende-se o fruto. entende-se a fruta seca. entende-se a cidade também. eu antes me preocupava em não me perder, em prestar atenção ao itinerário, mas, afinal, como não se passa por damasco sem sabê-la, resolvi ser o sono.

2 comentários:

c. disse...

OS ADORMECIDOS


Nem um só mapa registra
A rua dos dois adormecidos.
Nós perdemos sua pista.
Jazem como se submersos
Em imutável luz azul,
Aberta a porta de vidros

Com laços de fita amarela.
Por esta fresta penetra
Odores de terra úmida.
A lesma deixa um rastro prata;
Negras sebes cercam a casa.
Então olhamos para trás.

Morte feito pétalas lívidas
Entre folhas de formas tesas
Eles dormem, boca a boca.
Uma névoa branca esvoaça.
Suspiram narinas mínimas,
E eles reviram em seu sono.

Longe daquele leito ameno
Somos um sonho que eles sonham.
Suas pálpebras retêm sombras,
Nada vai lhes acontecer.
Trocamos a pele e nos movemos
Dentro de um outro tempo.

Sylvia Plath

.eva disse...

...sucessivamente ocupada por canaanitas, fenícios, arameus, hebreus, egípcios, sumérios, assírios, babilônios, hititas, persas, gregos e bizantinos. passou gente ali, viu. todos sabidos.

 

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