19.1.09

um pedaço para não partir

em Amsterdam um dia em julho segui um rapaz mais novo durante horas. por ser atrás, lembro mais da mochila dele do que do rosto. sei que era moreno, não-alto, cabelos lisos, magro e tinha os ombros daqueles que se encontram para o centro do peito. agora, a mochila era uma eastpack, ou jansport, azul-marinho, como a camiseta. essas coincidências que a vida nos dá -para quem está atento, disse-me uma vez um josé miguel- três dos homens que amei usavam uma mochila dessas e dessa cor. ele não foi um quarto.

a solidão me encantou como se eu fosse a fumaça do cigarro que às vezes ele acendia e me carregava pela trilha a leveza com que andava, me colocando um ritmo de humildade fora do espaço da desbravadora num país tão estrangeiro como é a Holanda. Eu não podia falar com ele. era o desconhecimento que me encaminhava. e não queria mais nada de nós dois que não fosse esse amor dilatado por se deixar ir. e como explicar que ele fez o mesmo caminho por muito tempo? andava em círculos! expressão precária. na quarta vez em frente a uma loja de chocolates, entrei. imagino que se tivesse esperado quinze minutos, ele por ali re-apareceria. mas o chocolate negro ali foi o melhor da minha vida e mudei de rumo?

não. cravada com os olhos na nuca, e ele nunca olha para trás, mas todas as vezes que me faço ver, ele me vê. perto das tulipas, ele me viu diretamente. embora tenha a garantia de que não percebeu a perseguição, confesso que seus olhos tinham sustos comigo.

pois, na verdade, eu ainda o sigo.
e ainda tenho certeza de que a língua que lhe era mais natural, era o português.

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falando em Holanda
e esses conhecidos
todo mundo lendo a Angélica, vamos

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