2.7.06

Epígrafe


preste atenção, o mundo é um moinho
Minha vida não é essa que destaco. Embora sejam inúmeras, essa não é a que escondi no silêncio ou na recusa. Essa é uma variante do que eu poderia dizer: “é o que eu digo” e portanto, estamos falando de uma opção anterior a você. Já minha vida, não, minha vida é simultânea a você. E toda a minha memória não vai mais se dividir, necessariamente, numa qual eu reajo ao desmentido e noutra que afirmo abajures, luminárias? Os lastros: se tudo é memória, garanto que me esqueci de algumas partes.

Esse pedido de clareza que lhe faço não é só por ansiedade ou receio. Se eu garanto que nessa vida conheço pessoas nas quais acredito e pelas quais eu, criteriosamente, morreria, então não sei se é por astúcia ou hábito que você se pergunta: por que pedem para não crer? Não se equivoque com tanta habilidade, não é isso. Só almejamos ao desengano com justa amabilidade, ao mesmo tempo que não garantimos que a falha esteja gasta ou em desuso, fora da validade. Quero é que se esqueça esses critérios pela razão simples de que são critérios, oras, é só abrir um noticiário como o da Softspot com meia década de diferença para saber que eles tem uma só constância: a da mutação. Veja só, pedindo desproteção ao Estado que é o indivíduo.

Não se matem ainda.

Lembre-se dos homens com os quais você já esteve, se não há depressão ou prozac um homem diz preferir jogos-americanos a toalhas de mesa, abacaxi e não banana, repulsa social e café sem açúcar, medo de solidão e conseqüente solidariedade, etc, como postos de gasolina que desaparecem ou não quando o combustível acaba: é só disso que se trata? Sim, é. E assim, desfazem-se as relíquias.

A generosidade é sempre um gesto de maior solidão: me abandonei em meio ao percurso e sobrei num escuro tão nítido que eu prefiro lhe dar o que, sobrando, me ausenta. Se é nessa generosidade que o meu gesto se sustenta, minha memória deixa de ser banal, porque agora é sua. Não há o que não se canse de todos nós.
Diz a voz: “Eu retornarei. E infinitas vezes tornarei a voltar. E retornarei a voltar? Não, acho que isso não configura um retorno. Ou?” Ora, na maior parte das vezes, o diálogo nos restaurantes se dá em dois tempos que de tão distintos, chegam a ser infinitos? Abismo que cavastes com tuas palavras.

Um comentário:

e as linhas disse...

júlia, será que basta dizer que você me arrasa quando passa por mim?

 

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