E, esse acordo ortográfico?, é claro que somos a favor de qualquer acordo com um outro que se respeita, mas em primeiro lugar, o acordo tenta esconder as diferenças , camuflá-las, num movimento bem politicamente correto e pouco lúcido. E, principalmente, se a intenção é aproximar as línguas portuguesas o que eliminar meia-dúzia de códigos ortográficos pode produzir de aproximação frente à décadas e décadas e décadas, quiçá séculos, de distâncias? Se querem nos aproximar tanto quanto eu gostaria que nos aproximassem, deveriam criar formas de acesso culturais, históricas, permanentes. Mas não, isso temos em comum desde tempos imemoriais, isso nos une: criar solução de tomar uma pequena medidazinha e gastar mais em dizer do que em fazer mesmo.
Temos de partida esse problema do nome da língua que os falantes do castelhano não tem. Podem dizer tanto na Argentina como no Peru ou na Espanha que falam uma língua sem vinculá-la ao nome de uma nação atual. Se calhar, um mexicano pode dizer “hablo castellano” sem que a memória ligue necessariamente o nome ao antigo reino de Castela. Para nós, no Brasil, em Angola, Cabo-Verde, etc, não temos uma solução sintética. Temos a solução dupla: “português do Brasil” ou “português brasileiro”, que continuam vinculando a língua em alguma nacionalidade específica. Mais, para um desavisado confuso, vincula a língua em duas nacionalidades. Nos falta uma palavra. Essa falta significa algum sintoma? De todo modo, não me sinto à vontade em dizer: sou a favor de uma língua portuguesa, portuguesa aqui como "castelhana", uma língua escrita em português que por conhecer as diferenças de seus vários usos expanda o uso lógico e vocabular, sintático e semântico, da mesma língua.
Ou seja: continuo lutando por um estilo.

















